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| Ilustração de José do Egito - por André Lima/ Portal Recordista |
Foi
um arrebatamento total. Assim eu me senti ao ver a cena final do primeiro
episódio do seriado José do Egito. Em estado de êxtase eu ainda tentava voltar
à vida contemporânea depois de acompanhar a um espetáculo cinematográfico.
Figurino, fotografia, sonorização, iluminação, atuações, texto e cenografia,
tudo muito bem costurado pela continuidade. Assim começou José do Egito que
entra para a história da teledramaturgia brasileira.
Se
me permitem, os caros leitores, peço vossa licença para escrever sobre tamanha
grandeza, tal qual foi o primeiro episódio de José do Egito. Uma obra que
poderia ser um sucesso estrondoso ou um grande fiasco. Eu explico, ao se tratar
de histórias bíblicas, principalmente no canal do bispo, corre-se sempre o
risco de deixar de contar uma história para fazer uma apologia a uma religião.
E isso não aconteceu. A história começou a ser contada, com texto e roteiro bem definidos e isso foi
somente um de vinte e oito episódios.
De antemão peço desculpas pela crítica "amadora" diante de uma espetacular produção. Li muitas críticas e cheguei a sentir pena de quem escreveu. Tamanha foi a falta de tato ao escrever sobre a grandeza de José do Egito.
Com,
licença, lá vou eu, vem comigo?
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A Arte e a Técnica –
Casamento Perfeito
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A
abertura já anunciava: “Vem coisa linda por aí”. Sem palavras para elogiar a
arte gráfica desse trabalho magnífico.
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| Jacó (Celso Frateschi) - José do Egito |
De
nada adiantaria um elenco como o de José do Egito, não fosse o trabalho de
produção, a técnica e o trabalho profissional de ponta que arquitetavam o palco
para os artistas fazerem o que sabem fazer de melhor. Nos levar a uma viagem no
tempo, nos sentimentos, nas emoções e dentro de nós mesmos. Foi um filho
planejado, gerado, cuidado nos detalhes e nascido com todas as honras. Assim foi
a primeira cena do seriado com o nascimento de José (futuramente do Egito).
Para
contar essa história, figurino, fotografia, enquadramentos que nos levavam para
dentro dos acontecimentos, e as atuações mais afinadas que eu vi entre: Mylla
Christie, Carla Cabral, Celso Frateschi e Denise Del Vecchio, que me fez
respirar fundo e pensar aqui sozinho em casa: Estou diante de uma obra de arte
viva.
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Rede Record
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Vamos
falar de fotografia, que é algo que hoje a maioria dos telespectadores resolveu
observar com mais cuidado?
Todos
os frames projetados na tela saltavam aos nossos olhos em uma fotografia
deslumbrante que compunham uma orquestra sincrônica com os outros elementos que
são fundamentais a uma obra com essa qualidade.
Luz,
cores e enquadramentos se juntavam e se somavam para narrar o primeiro episódio
de José do Egito. Diálogos que conversavam com a fotografia, figurino e
sonorização.
O
figurino é peça fundamental nesta orquestra sinfônica que tocava ao coração de
quem estava diante da tela da Televisão. Figurinos de época precisam narrar uma
história antes mesmo dos diálogos acontecerem. É um recado visual que precisa e
tem que ser dado a quem assiste e foi o que aconteceu. Estilo, cores, volume,
contexto dentro de uma ação e um ambiente, tudo isso estava ali.
Junto
com o figurino a cenografia mostrava o cuidado com os mínimos detalhes. Quem
assistia se sentia lá na época acompanhando e fazendo parte de tudo.
No
enredo a inveja, amor e ódio, paixões avassaladoras, conflitos familiares,
perdão. Estes formam os elementos para o texto de Vivian de Oliveira, que está
mais afinada, madura, mostrando densidade e sendo sempre muito bem amarrado com
a produção técnica e atuações memoráveis.
Vivian
de Oliveira está completamente visceral neste texto que ela assina. Quem
assistiu A História de Ester e Rei Davi já pode fazer as comparações e notar a
qualidade nos diálogos que ganharam corpo. O primeiro episódio foi marcado por
mostrar quem são os mocinhos e quem são os vilões da história. Mas não se
engane em achar que isso será assim até o final. O texto é redondo e narra
cronologicamente as transformações interpessoais e humanas de cada personagem
envolvido.
Afinal,
amor e perdão formam o mote principal deste enredo esplendoroso. Uma das
histórias mais belas da bíblia. Porque além da obra de arte em si, tem muito de
nós em cada personagem. Quem gosta de acompanhar produções deste gênero podem
buscar em sua memória, pessoas que são como um ou outro personagem em nossa
vida contemporânea.
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| Denise Del Vecchio contracenando com Mylla Christie - José do Egito |
Denise
Del Vecchio estava inteira em sua
personagem Lia, uma das esposas de Jacó (Celso Frateschi). A atriz em sua plena
forma mostra que faz parte de um primeiro escalão na arte de interpretar.
Celso
Frateschi o sempre sensacional
ator, em seu primeiro trabalho depois que deixou a Rede Globo, mostrou um Jacó impecável.
Figurino, maquiagem, tom de voz, posicionamento, respeitando todas as rubricas que
a cena pedia. Eu vi ali o personagem usando e abusando do corpo do ator. Isso é
interpretar.
E
a jovem Marcela Barrozo? O que dizer de uma atriz que começou há pouco
tempo, encarar com uma das suas primeiras cenas, um estupro há milhares de
anos. Ela deu conta de sua tarefa e emocionou, chocou e arrepiou quem via
aquela cena magnífica. Parece contraditório chamar de magnífica uma cena de
estupro, mas é o que arte faz, quando bem executada. Transforma tudo em poesia.
Marcela Barrozo acabou de abrir as portas do sucesso, definitivamente, para a
sua carreira. Elogios a ela certamente não faltar.
Mylla
Christie, uma atriz experiente,
faz pela primeira vez, um trabalho de época e ali estava uma atriz
completamente envolvida em seu personagem. Coisa linda de se ver. Assim como a
sempre talentosa Carla Cabral, que ao que parece mudar de nome lhe fez muito bem
e lhe deu mais energia para encarar mais um belo trabalho em seu currículo.
O
jovem Rick Tavares apareceu pouco, mas todas as vezes que entrava no
vídeo, deixava muito clara, a sua personalidade gentil, respeitosa, amorosa e
de caráter indubitável que José tem. Eis mais um exemplo de jovem talento
fazendo arte em uma obra de qualidade intergaláctica. A única e pequena falha
foi em sua prosódia que ainda carrega um sotaque muito carioca. Fora isso, tudo
muito bom.
Há
de se destacar outras grandiosas aparições na série:
·
Caio Junqueira
(Simeon)
·
Guilherme Winter
(Ruben)
·
Nanda Ziegler
(Naamá)
·
Vitor Hugo (Judá)
Como
era se esperar, os candidatos a críticos de televisão começaram a afiar os
dedos e escrever sobre José do Egito logo após o seu término. Aliás pela
velocidade com que as críticas foram ao ar, acho até que estavam escrevendo
enquanto o episódio era exibido.
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| Marcela Barrozo - destaque do Primeiro episódio de José do Egito |
Apesar
de dizerem que o roteiro foi apenas didático eu discordo. E a didática em
produções de época é importante sim para situar o telespectador do que
acontece. Mas a Vivian carregou na densidade das falas, mostrando de imediato
os conflitos familiares os amores, paixões e ódio. E isso nada tem a ver com
didática. Isso tem a ver com poesia que somou na prosa que foi ao ar.
O
ator Paulo Nigro (Siquém) foi o mais atacado, afinal, uma produção impecável
como José do Egito, precisava ter defeitos não é mesmo? Eu já escrevi aqui em
artigo anterior que a Record ainda hoje sofre preconceitos e aí está mais uma
prova. Voltando ao ator, ele nem de longe é um dos melhores do país, mas também
não é nenhum amador. Ele deu conta do recado sim, e foi muito bem dirigido sim.
Aliás é isso que faz a diferença, uma boa direção serve justamente para estes
ajustes. E o Avancini conseguiu misturar a didática em contar uma história de
época com a poesia dos acontecimentos. Elementos metafóricos, ajudavam a narrar
essa história. E as câmeras Arri Alexa importadas do cinema, fizeram o seu belo
trabalho.
Chegar
ao cúmulo de escrever que o elenco não está em nível é no mínimo crueldade e
falta do que fazer.
|
Que Não Existe
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Ao
que parece quando se trata da Rede Record os críticos “non senses” e parciais
procuram falhas como se estivessem procurando um elemento para a salvar a sua
própria vida. É como se eles precisassem desmerecer um trabalho impecável como
este só para se sentirem melhor.
Este foi somente o primeiro episódio. A
história começou e cativou, prendeu e emocionou quem assistiu a um show diante
da televisão.
Quando
terminou José do Egito a única coisa que veio em minha mente foi:
“Acabei
de assistir a um belo e épico filme”
Nota: Você percebe que alguém escreve uma
crítica tendenciosa e parcial, quando, eles falam das qualidades de uma obra
como essa com desdém, e na hora de apontar as “falhas”, gastam linhas e linhas
até convencer a quem lê de que ele tem razão.
- Vamos
brincar de suposições, meus inteligentes leitores: Suponha que José do
Egito fosse um seriado exibido pela Rede Globo de Televisão.
_ Imaginou? Pois bem, agora como vocês
acham que seriam feitos os elogios e as críticas a respeito da série?
_ Minha opinião: teriam escrito
páginas e páginas, rasgando elogios. Por que quando é na Record, até os
elogios são contidos e tímidos? Porque existem, até hoje "pré-conceitos" com o
canal, isso mesmo, eu separei a palavra preconceitos justamente para deixar claro.
Qualquer coisa que vá ao ar pela Record, é vista pelos críticos com desdém
antes mesmo de ir ao ar.
Seriam estes, ditadores do pensamento único?
deixe sua opinião sobre o primeiro episódio de José do Egito
Abraços, com respeito, ontem, hoje amanhã e sempre
Abraços, com respeito, ontem, hoje amanhã e
sempre
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