quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

André Lima: 2013 o ano em que a Record foi mais odiada pelos críticos de TV


Por André Lima

O ano de 2013 não foi nada fácil para a Record em relação aos ditos críticos especializados em TV. Ao que parece a Rede Record foi a bola da vez e ao que tudo indica, deve continuar sendo o alvo-fácil dos pseudo-críticos espalhados por esses blogs da vida.
Jornalismo ou Perseguição?

Os blogueiros, colunistas, “jornalistas” e críticos de TV estavam todos com seus dedos afiados para escrever, de modo malicioso, quando o assunto era a Rede Record.

Lembro como se fosse hoje quando um deles, escreveu em sua página que o Cidade Alerta, sob o comando do Marcelo Rezende estava se transformando em um circo. E o mesmo, escreveu, “acusando” ou quase isso, o Marcelo Rezende de colocar a vida do Percival de Souza, comentarista do programa, em risco. Tudo por conta das brincadeiras do Rezende, em dizer que o Percival é milionário e que tem isso e aquilo e que faz viagens para o exterior etc. Das duas uma, ou foi uma tentativa de piada do jornalista ou foi uma burrice. Ou talvez tenha uma terceira e mais plausível explicação: Marcelo Rezende começou a incomodar e muito a concorrência. E continua incomodando, para quem pensou que seria um sucesso passageiro.
Reprodução coluna Flavio Ricco - UOL

Esse mesmo colunista, depois da fracassada tentativa de desmerecer o trabalho do Cidade Alerta, partiu para outras áreas. Recentemente disse que a Record iniciou uma guerra entre canais após contratar Sabrina Satto antes do seu contrato terminar com a BAND. (essa eu acredito que era apenas para rir mesmo. Nem há o que se comentar sobre isso). E ainda está tentando transformar a moça em uma possível “rejeição”.

Enquanto isso em um outro site de notícias a manchete era: Record demite bailarinas de Rodrigo Faro na véspera de Natal

Vamos ao fato: A primeira questão que eu levanto é a seguinte: Que tipo de jornalista, formado e profissional como tal, não sabe diferenciar demissão de fim de contrato?
Reprodução; site noticias da TV 

As bailarinas não foram demitidas, para se demitir é preciso que a empresa contratante quebre um contrato, e como o mesmo informou, o contrato das moças iriam até 31 de dezembro de 2013 e apenas foram informadas de não renovação. Portanto, subentende-se que não houve demissão.

Mas é claro, o jornalista precisa colocar a Record como uma vilã da história que dá como presente de Natal para funcionários, a demissão assinada.

Também, pudera, o mesmo foi capaz de se preocupar com o fato de a Record não distribuir “Panetones” no fim de ano. Vai esperar o que mais?

O que esses e tantos outros críticos de TV não podiam ir contra é com o fato de José do Egito e Pecado Mortal, serem, de fato, super produções. E podem até falar de audiência, mas não podem criticar a qualidade das produções. Tiveram que engolir à seco mesmo e vão continuar engolindo até por muito tempo.

Mas é claro, que eu como crítico, não posso deixar de enumerar as falhas da Record também.
Erros de Planejamento

A Record cometeu muitos erros de planejamento em 2013 e vem pagando por eles gradativamente. A Record falhou com a grade do canal, e ajudou a afastar o público de teledramaturgia que o canal conquistara ao longo dos últimos anos.

Uma sequência de erros

Depois de ter entrado em desespero com a queda de audiência de Máscaras. A novela foi cortada pela metade e o texto do sempre genial Lauro César Muniz foi prejudicado em nome de audiência.
Gisele Joras que estava escrevendo uma novela para ir ao ar meses depois, e ela teve que escrever as cenas às pressas. Joras foi um pouco mais sagaz e consertou de forma rápida as pequenas dissonâncias que ocorriam nos primeiros capítulos. Era uma novela chamada de colorida. Mas de fórmula experimental. Foi o primeiro texto da Joras que seguia uma linha diferente do que ela já vinha apresentando. Trazia uma nova roupagem e uma nova maneira de contar uma história que misturava questões sociais, romance tradicional com personagens caricatos e surreais. Era uma maravilha assistir Simone Spoladore e André Mattos batendo um bolão com os personagens mais loucos que eu já vi na TV.
Bruno Ferrari se firmou como um grande ator do canal, e provou que é ator mesmo e deixou de lado a vaidade, se é que ele um dia teve, e encarou um vilão que inicialmente parecia engraçado e depois se transformou em um perigoso vilão. Seu melhor trabalho na Record sem dúvida.
A novela não deu a audiência esperada também. Erros de grade que não tinha nenhum produto forte que antecedesse a novela.

A hora da Xepa não aconteceu em Audiência

Enquanto isso Carlos Lombardi, o novo grande autor contratado pelo canal estava preparando Pecado Mortal, inicialmente chamada de Vida Bandida. Que substituiria Balacobaco de Gisele Joras. Em contrapartida, coube ao Gustavo Reiz adaptar Dona Xepa, que deveria re-estrear um segundo horário de novelas na Record e experimentar um novo formato de novela, com poucos capítulos, menos de 100, e com custo reduzido. Mas, mais uma vez o planejamento foi por água abaixo e Dona Xepa foi exibida as 22:30 horas substituindo Balacobaco.

E Pecado Mortal teve que esperar mais um pouco, o que foi bom para a equipe de Carlos Lombardi que era a mesma da minissérie José do Egito, outra aplaudida produção da Record.

Dona Xepa merecia um melhor horário de novela, e o público que certamente assistiria a novela não conseguia esperar tanto tempo para assistir uma novela popular e de texto de novela das 20 horas depois das 22 horas. Uma boa novela do Reiz com o melhor trabalho da atriz, Thaís Fersosa e atuação maravilhosa de Angela Leal, apoiadas pelos veteranos e profissionais Bemvindo Sequeira, Castrinho e José Dumont. Foi também uma grata surpresa a primeira atuação de Robertha Portella. Uma das grandes revelações do ano. Mas a audiência também não foi a esperada.

Pecado Mortal sem Pecados

E por fim, no dia 25 de Setembro, em uma quarta-feira aproveitando o público da bem sucedida minissérie José do Egito que antecedia a novela. Entrava no ar o primeiro capítulo de Pecado Mortal, a primeira novela de Carlos Lombardi na Record e com uma super produção tal qual foi anunciada.

Foi um show na tela da Record, entrava no ar, a melhor novela do ano, na opinião de qualquer crítico de TV que seja imparcial e responsável. Foi um capítulo belíssimo que mostrava que a novela estava realmente sendo bem produzida. Elenco afinado, figurino, cenografia, texto impecável, iluminação, e trilha musical. Tudo perfeitamente sincronizado. E o mais legal de tudo. Os capítulos sendo respeitados tal qual o autor planejou. Cada capítulo tem começo, meio, fim e gancho para o próximo. Como uma novela de verdade deve ser. E até o momento são 69 capítulos, a contar com o de hoje (01-01-14) a novela não teve uma única “barriga” e manteve o dinamismo que o roteiro exige.
Jussara Freire como Donana, a sua primeira vilã da carreira - Pecado Mortal
A novela é a melhor já produzida pela Record, sem dúvidas. Mas a direção do canal continua cometendo os mesmos erros de antes na grade do canal. Colocar a novela depois de CSI:NY que raras vezes ultrapassa 5 pontos de média em São Paulo, e jogar a responsabilidade de audiência para um milagre resolver. Hoje a excelente novela oscila entre 4 e 6 pontos.
Vitor Hugo e Fernando Pavão - em cena de Pecado Mortal

Mas é claro, que isso já foi mais do que comprovado. Qualidade não tem nada a ver com quantidade. O público é menor do que se espera, mas é um público seleto e que priva por assistir a um bom trabalho, ouvir e acompanhar bons diálogos e interpretações brilhantes e dignas de prêmios.

É a novela mais “cult” que eu já assisti. E até hoje, não perdi um único capítulo. E preciso dizer, é a primeira novela do Carlos Lombardi que eu faço questão de acompanhar do início ao fim. Como ele mesmo afirmou, seria uma novela diferente de tudo que ele já fez. É brilhante, é ousada, é original. E uma coisa é certa, as novelas da Record se dividirão entre, “antes e depois de #PecadoMortal”.

2013 foi um ano importante para a dramaturgia da Record em relação a qualidade. Repito, estou falando de qualidade e não de quantidade. Não discute qualidade usando como fonte de informação, números de audiência. Uma coisa nada tem a ver com a outra. José do Egito e Pecado Mortal entram para a história do canal como as melhores produções do canal.

E vem aí, Vitória de Cristianne Fridman e Milagres de Jesus sob a assinatura de vários autores em cada um dos seus 18 episódios.



Abraços com respeito, ontem, hoje e sempre