segunda-feira, 21 de abril de 2014

“Extremamente calculista”, diz Raphael Montagner sobre Enzo, um dos neonazistas de “Vitória”


Sempre que ouvimos referência à palavra neonazismo, logo nos vêm a cabeça as tristes imagens do nazismo alemão, surgidos nos anos 30 e liderado por Adolf Hitler, onde a superioridade da raça ariana era colocada como predominante sobre os denominados “impuros”, isto é, negros, judeus, ciganos, homossexuais, que acabou culminando inclusive, na Segunda Guerra Mundial. 

Passado os anos de terror e com a criação da ONU com objetivo de deter a guerra entre países e a valorização dos ideais de igualdade entre as nações e da importância da diversidade sociocultural, sem distinção por cor, raça, religião, classe social ou orientação sexual, é triste acreditar que ainda existam espalhados por todo o mundo, grupos que se manifestam a favor da segregação entre os povos, levando muitas pessoas a serem alvos de tanta discriminação.

E será justamente o preconceito e a intolerância presentes no submundo neonazista, que serão retratados na nova novela da Record “Vitória” de autoria de Cristianne Fridman e direção geral de Edgard Miranda. Na trama a atriz Juliana Silveira conhecida do público pelos inúmeros papéis de mocinha na TV será uma neonazista que lidera um grupo que irá perseguir negros, homossexuais e nordestinos. A corja será formada pelos atores Marcos Pitombo que interpretará Paulão, Bárbara vivida por Liége Müller, Enzo de Raphael Montagner e Quim de Gustavo Leão, que não medirão esforços para cumprirem seus planos, chegando a ponto de partirem para agressões físicas, queima de ônibus com retirantes nordestinos e até mesmo a morte.

Assim como será retratado no folhetim muitos integrantes desses grupos possuem boa condição financeira, são filhos de pais de classe média alta e geralmente possuem curso superior. São justamente, pelo fato de possuírem um alto grau de instrução, que buscam se informar sobre o tema e recrutar cada vez mais novos integrantes.

Sabemos que na maioria dos países fazer apologia ao nazismo é crime, inclusive no Brasil onde é sem direito a fiança, conforme o artigo nº 20, parágrafos 1 e 2, da Lei nº 7.716 de 5 de janeiro de 1989 e inclui prisão de 2 a 5 anos. Um caso que chamou atenção da população ocorrido em abril do ano passado foi a prisão do skinhead neonazista Antonio Donato Baudson Peret, 26 anos, preso em Americana, São Paulo, acusado de esfaquear um casal homossexual e de agredir um morador de rua em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Em pesquisa realizada pela pesquisadora da Unicamp Adriana Dias em 91% das redes sociais por ela analisadas existiam comunidades neonazistas, sendo que esses grupos são predominantes no sul do país, mas tem crescido aceleradamente no Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo e o que mais assusta são que seus dados de 2013 apontam a existência de aproximadamente 105 mil neonazistas só na região Sul do Brasil.

No cinema, inúmeros filmes já retrataram o tema, em “A Outra História Americana”, por exemplo, o ator Edwar Norton, considerado por muitos um dos maiores atores da nova geração e duas vezes indicado ao Óscar, viveu um líder de grupo neonazista que mata três negros em frente a sua casa e após ser preso se arrepende dos atos cometidos. Para viver o papel Edwar ganhou 15 quilos de músculos e raspou a cabeça. O ator Raphael Montagner também passou por mudanças radicais para encarar o neonazista Enzo em “Vitória”. Confira abaixo um Tête-à-tête com o exímio ator e  algumas das suas revelações:

Qual o maior desafio em dar vida a um neonazista?
Raphael: No meu caso foi a total falta de conhecimento e vivência do tema e da realidade nazista. Conhecer o que pensam, o que fazem, defender a sua ideologia e seus fundamentos, depois incorporá-lo e dar vida a um personagem está sendo um grande desafio.

Já tinha presenciado algum tipo de ação neonazista no seu dia-a-dia, ou considera tal realidade totalmente diferente da sua?
Raphael: Ação neonazista declarada e na íntegra não. Mas simpatizantes da causa diariamente vivencio e vejo, como preconceitos raciais, religiosos e intolerância. Agora a minha realidade é totalmente oposta ao personagem! É apenas um trabalho novo e desafiador, por isso a dificuldade. Dedicação para fazê-lo é o que não falta.
Existe alguma particularidade sobre o Enzo que você pode observar nesse início de composição do personagem?
Raphael: Ele é extremamente calmo, calculista, sabe de cada passo, um cara estudado, de “papo reto” nas coisas e decisões, afinal é o fabricante de bombas do grupo e que sempre está atento aos mínimos detalhes!

A mudança de visual partiu de sua parte ou da produção da casa? Está tendo dificuldades para manter os cabelos raspados?
Raphael: (risos) Esse foi um dos maiores desafios pessoais. Tive que abandonar a vaidade pessoal para atender ao pedido do diretor geral da novela Edgar Miranda e me dar por inteiro para o Enzo. Agora já me acostumei e aceitei o visual agressivo e muita gente já está se sentindo intimidado.

Para descobrir mais detalhes sobre o Enzo e todo o seu perigoso grupo neonazista não perca “Vitória”! A previsão de estreia é para a primeira quinzena de junho em substituição a “Pecado Mortal”