quarta-feira, 16 de abril de 2014

Gay e nordestino, personagem de Ricardo Ferreira estará na mira de neonazistas em “Vitória”


No ar com um personagem gay discreto, recatado e que não assume a sua orientação sexual devido ao moralismo presente na sociedade dos anos 70, a Rede Record apresentará em breve um perfil de homossexual um tanto, quanto diferente do comedido alfaiate Jurandir interpretado pelo ator Fabio Villa Verde na novela “Pecado Mortal” de Carlos Lombardi.

Em “Vitória”, novo folhetim da emissora com autoria da renomada Cristianne Fridman e direção geral de Edgard Miranda, o talentoso ator Ricardo Ferreira dará vida a Virgulino, um nordestino que mora no Rio de Janeiro a um bom tempo e que trabalha como cozinheiro numa escola ao lado de Bruno, interpretado pelo ator Augusto Garcia e Anastácia vivida pela atriz Roberta Gualda.

Sem parecer caricato, Virgulino será um homem de bom coração, trabalhador e que não terá o menor receio com relação a sua orientação sexual, muito pelo contrário, levantará a bandeira e não terá problema algum em assumir que é homossexual. No entanto, o fato de ser nordestino e gay fará dele uma presa fácil para os neonazistas presentes na trama, que repugnarão esse perfil social.

Liderado pela universitária Priscila, vivida pela atriz Juliana Silveira e composto por Paulão, personagem do Marcos Pitombo, Quim de Gustavo Leão, Enzo interpretado por Raphael Montagner e Bárbara de Liége Müller, o grupo neonazista que possuirá ideologias racistas e de segregação social, irá perseguir negros, homossexuais e nordestinos, chegando a ponto de espancar, bombardear e até matar.

Por outro lado, Virgulino, personagem do ator Ricardo Ferreira, que fará seu segundo personagem fixo nas telinhas, após dar vida ao vendedor de ovos Galeto em “Dona Xepa” e fazer algumas participações especiais em tramas como “Vidas em Jogo”, “Máscaras” “Balacobaco” será um prato cheio para a autora debater e abrir um leque de discussões importantes sobre a homofobia e o racismo.

Não é raridade, ouvirmos casos de preconceito racial e agressões ou assassinatos a homossexuais. Atos racistas como o que aconteceu a meses atrás com o jogador Tinga do Cruzeiro hostilizado em um jogo contra o Real Garcilaso e o assassinato do adolescente Kaique Augusto Batista dos Santos, 16 anos, encontrado morto na região central de São Paulo sem os dentes e com uma fratura exposta na perna são exemplos do quanto os casos de preconceito e intolerância são chocantes.

Segundo uma pesquisa encomendada pelo Grupo Gay da Bahia, a mais antiga associação de defesa dos direitos humanos dos homossexuais no Brasil, a cada 28 horas um homossexual é assassinado no país, sendo 99% dos crimes motivados por homofobia. Ainda de acordo com o estudo, o Brasil está em primeiro ligar no ranking mundial de assassinatos homofóbicos, concentrando 44% do total de mortes de todo o planeta no ano de 2013, dado esse alarmante.

Para conferir essas e outras abordagens tão interessantes e necessárias, não perca “Vitória”. O folhetim tem previsão de estreia para a primeira quinzena de junho. Marcada por temas atuais e por um elenco de peso a trama promete ser um dos grandes destaques da nova programação da Rede Record. É imperdível!

Texto por Luciano Andrade - @luccandrade
Colaborou: Maressa Villa Real - @maressavilareal
© Todos os direitos reservados

Leia também: