quarta-feira, 14 de maio de 2014

#CrônicaDaTV: LUIZ GUILHERME, um Ator para Infinitos Personagens



Por: André Lima //
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Luiz Guilherme- Um ator de presença e voz marcantes
Para divagar sobre o trabalho de um ator, é preciso sair do lugar comum. Deixar de lado o óbvio que já está exposto há tempos e já é obsoleto. E, sem inferir sobre o que a mídia diz. Aqui vou eu, viajando em meus desvairados pensamentos.

Luiz Guilherme começou a atuar muito cedo, aos onze anos. Isso ainda no ano 1961.

Mas o que é um ator?

As definições são múltiplas e algumas muito convencionais. Mas para compreender esse primoroso ofício é preciso ir além.

Paulo Autran disse uma vez:

“O importante na interpretação é o que o personagem tem em mente ao dizer as frases do texto. Isso é o que faz uma interpretação ser verdadeira ou não”

Quem está acompanhando o trabalho do ator Luiz Guilherme em Pecado Mortal, fazendo o Michelle consegue perceber a referência nas palavras do grande e saudoso Paulo Autran.

De voz e presença muito marcantes, Luiz Guilherme é o ator que valoriza a palavra. Quando ele está em cena, o texto flui de tal maneira que nada passa despercebido.

As palavras chegam ao (tele) espectador como verdadeiras. E não somente a palavra dita, mas principalmente, aquelas palavras que o seu personagem não consegue exteriorizar.

Então vem um ator como Luiz Guilherme, que generosamente abdica de sua existência por um período, para deixar o personagem brilhar, ganhar vida, tornar-se verdadeiro. Falando com os olhos, com o corpo.

E assim, a ficção se (con)funde com a vida real. Ou será que é o contrário?

Um ator é aquele que consegue dizer uma frase rotineira como, por exemplo:
“Eu quero tomar café.”
De tantas maneiras quantas se fizerem necessárias. Porque o que vai contar mesmo, é a veracidade do personagem e não da frase.

Um ator é uma obra de arte viva. E esta obra está em constantes modificações. Assim é Luiz Guilherme, cada personagem é uma vida criada a partir de um trabalho seu.

Luiz Guilherme vem, ao longo de seus mais de 50 anos de carreira, trazendo à realidade, os personagens que os autores criam e escrevem para ele.

Em cena, Luiz Guilherme é o liame entre o texto e o personagem.


Tirando leite de pedra
Mesmo com as parcas cenas escritas para ele, em reta final de Pecado Mortal, o ator consegue tomar conta de uma cena inteira, por mais que seja curta.

Ele aparece em cena e eu paro, escuto, olho, mas principalmente me permito ver o seu personagem como se estivesse na sala de minha casa.

Quem não se lembra da cena em que Michelle reencontra o filho, quando chega cabisbaixo pedindo ajuda ao pai porque seqüestraram seus filhos?

Sem que ele falasse, tudo ali foi dito. E somente um ator de verdade é capaz de fazer algo assim.

Não é o primeiro trabalho de Luiz Guilherme com Carlos Lombardi. O ator já fez, Uga-Uga, O Quinto dos Infernos e Kubanacan. Carlos Lombardi conhece de longa data o quão grande ator o Luiz Guilherme é.
Sobre seu personagem, Michelle, em Pecado Mortal, e sobre o papel de um ator, ele falou recentemente em uma entrevista:
“— Pra você ser ator, você tem que ser Narciso, não tem jeito. O que um ator mais quer na vida? Um palco, uma luz em cima e uma plateia para assistir. Para isso você tem que ser Narciso. Mas eu acredito que o grande desafio de um ator, além de realizar o seu papel, é dominar esse narcisismo e deixar que a personagem transpareça mais do que o ator, deixar que Michelle seja maior que o Guilherme.”


Seus trabalhos na Record
1998 – Estrela de Fogo, de Yves Dumont com Vivian de Oliveira como uma das colaboradoras

2006 – Bicho do Mato, de Cristianne Fridman

2007 – Amor e Intrigas, de Gisele Joras

2009 – Poder Paralelo, de Lauro César Muniz

2011 – Vidas em Jogo, de Cristianne Fridman

2012 – Balacobaco, de Gisele Joras

2013/2014 – Pecado Mortal, de Carlos Lombardi

2014 – Milagres de Jesus – “Milagres em Genesaré”

“Pecado Mortal é não se dar o privilégio de acompanhar Luiz Guilherme em cena.”

_ Por esse pecado eu não vou responder.
Abraços com respeito sempre.