sexta-feira, 20 de março de 2015

Crítica: A #Vitória foi do grandioso elenco

 Vitória chegou ao fim com vitórias e derrotas ...




A novela entrou no ar com uma responsabilidade de resgatar os índices acima dos dois dígitos que a Record costumava dar. Tarefa muito difícil. A direção da Record resolveu, corajosamente, bater de frente com a principal novela da Globo. O horário das 21:30 horas é um horário concorrido.

Alguns diziam ser loucura e que não era hora ainda de fazer isso. Outros, gostaram de ver a TV Record parar de fazer programação baseada na programação da Globo e ficar escravizada pela Platinada. Como se tivesse que pedir licença para colocar algo no ar e ainda perguntar que horário seria melhor.

Nem tudo que parece, realmente é ...

Bem, atitudes corajosas à parte ... Somente isso não seria suficiente para um "milagre" acontecer. A Record precisa entender que quem faz milagres é somente Jesus. E que a TV para crescer em audiência, precisa de planejamento, estratégia e não somente viver fazendo testes.

Mas... por outro lado. Em algumas regiões do país, a Record alcança índices bem maiores do que os de SP. 

Voltando para a novela ...


É importante que se diga que Vitória tinha escalação de elenco de alto nível. 

André Di Mauro, conseguiu um feito inédito aqui no Brasil, vencendo um Prêmio de uma revista como melhor ator protagonista. Todos sabem que a Rede Globo monopoliza esses prêmios por aqui.

Tivemos Lucinha Lins brilhando com uma personagem difícil de fazer e que somente uma profissional gabaritada poderia dar conta. E deu no que deu. Emocionou a todos.

Vitória, teve o ator Raymundo de Souza em sua melhor performance na TV. O Ednaldo trouxe a discussão do alcoolismo e o do "trabalho infantil". Ao lado do ator infanto-juvenil, Pablo Mothé. Outro jovem com um futuro brilhante na carreira, caso decida continuar, pois talento ele tem.

Roberta Gualda que viu sua personagem mudar o rumo devido à saída do ator Augusto Garcia que estava indo para outro canal. Ainda assim, a atriz segurou firme a personagem e mais uma vez mostrou que é uma das atrizes mais versáteis que existe no país. Vai da comédia rasgada ao drama.

Por que a audiência não correspondeu?


Há controvérsias ...

Vitória manteve índices em São Paulo que variavam de 5 a 7 pontos. Isso significa dizer que tinha um público fiel, que "comprou" a história e mergulhou junto no drama e na comédia que circulavam na trama. E basta analisar com um pouco mais de atenção: Manter a audiência, neste horário concorrido, é tão vitorioso quanto dar 15 pontos em outro horário off novela da Globo.

Algumas falhas em Vitória


Mas nem tudo foi flores e eu, infelizmente, não posso ser somente elogios para a novela. Houve falhas em algumas cenas. E houve também o excesso de temas dentro da novela. Mesmo sendo uma novela longa, com mais de 200 capítulos, não teria tempo para discorrer sobre tudo.

  • Talvez, por conta disso, o núcleo principal ficou um pouco aquém do que se esperava. Outros dramas se destacavam dos protagonistas.
  • Havia muitos vilões e todos muito fortes, o que acabou transformando, em vários momentos, os protagonistas em coadjuvantes.
  • Corridas de cavalos acabaram avulsas na trama. Sem falar no "motocross" que sumiu da trama com uma justificativa pouco plausível.
  • Novela esticada até a corda arrebentar, diálogos eram colocados a esmo, apenas para encher espaço de tempo.
  • Eu vi elenco ter que dizer "coisas" que eram incoerentes com os personagens e não foi somente um vez.

Bruno Ferrari e Thaís Melchior


Os personagens principal Artur e Diana deixaram a desejar, mas em contrapartida. Bruno Ferrari, sempre espetacular, deu mais uma aula de arte dramática na tela desde o primeiro capítulo. A jovem atriz, Thaís Melchior, selecionada e contratada para viver a mocinha, deu conta do recado, e sempre que foi exigida como atriz ela correspondeu.



Os Vilões...



Enquanto uns personagens não funcionavam, outros roubavam a cena.

É preciso ressaltar, desde o início da novela, a entrega da atriz Juliana silveira, encarnando a sua primeira vilã. Fazendo uma neonazista sem escrúpulos. A cena do atropelamento proposital do flanelinha negro, fazia o telespectador arrepiar somente com seu olhar. A atriz saiu do lugar de conforto que vinha estando como atriz e mostrou que é competente e estava empenhada para transmitir toda a loucura que se passa na cabeça de um neonazista.

Gabriel Gracindo começou devagar, como quem não queria nada. Parecia que seria somente um coadjuvante e que o Iago era um personagem destes que se coloca para conversar com alguém na trama. Ledo engano... o "assassino da flecha" chamou os holofotes para si e carregou a novela por muito tempo. O foco passou a ser o Iago. Graças ao trabalho espetacular que o ator Gabriel Gracindo fez. 
Gabriel gracindo e Juliana Silveira trocavam vilanias e brigavam, dentro da novela com seus personagens, o posto de maior vilão.

Um matou o irmão e a outra, a mãe e uma criança. De tudo, ficou claro, Gabriel Gracindo e Juliana Silveira estavam em sua melhor forma como atores.


  • Uma outra grata surpresa foi o ator, ainda jovem, Raphael Montagner. Que trabalho visceral que esse ator fez. Foi muito bom, muito bem representado. O personagem estava no corpo, nos olhos, na face. Seu desempenho foi tão bom que ele já está escalado para a novela "Escrava Mãe" de Gustavo Reiz.



Generalizando para não ser injusto


Com um elenco grandioso, seria complicado listar aqui todos os bons trabalhos realizados por esse incrível elenco que se jogou de corpo e alma na novela. Atores do porte de Jonas Bloch, Thelmo Fernandes e Rafaela Mandelli foram brilhantes.

Beth Goulart com uma personagem densa, complexa até, estava ali, impecável vivendo a Clarice.






E o que dizer de Ricardo Ferreira, que encarnou um nordestino homossexual e todo mundo pensava que o ator carioca era mesmo nordestino como o personagem? Qualquer elogio listado aqui seriam meras palavras.

Eu já escrevi antes mas preciso repetir: Raymundo de Souza se jogou sem medo para fazer o alcoólatra, Ednaldo. Mais visceral que ele, impossível. Foi de encher os olhos.






Jorge virou uma "instituição" dentro da novela ...

O tom dado pelo ator André Di Mauro ao Jorge foi tão perfeito que obrigou a autora, Cristianne Fridman a mudar os rumos do Jorge que seria um carrasco autoritário e assediador. O André Di Mauro transformou o Jorge em uma unanimidade com os telespectadores que a cada bordão; "Isso é falta de laço..." nos levava a gargalhar. O ator coleciona mais um de seus grandiosos trabalhos na TV Record e também com a autora.



E no final ...

Ficar aqui "filosofando" sobre capítulo final de novela seria muito fácil, mas não cabe no texto. Uns gostam outros nem tanto. Mas o que posso dizer é que no final, a Vitória foi do elenco grandioso, que se dedicou e nos trouxe à tela da TV, um trabalho digno.

Valeu assistir do início ao fim. Mesmo com as ressalvas feitas. No cômputo geral, a novela seguiu bem com gratas surpresas e profissionais realmente mergulhados no trabalho.

Sobre audiência?

Por que se preocupar com quantas pessoas assistindo? Isso interfere em seu gosto pessoal? Você só gosta daquilo que a maioria gosta?
Eu não. Eu assisto o que me agrada. Deixa a audiência para a TV Record se preocupar. Nós telespectadores devemos exigir qualidade.