segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Crítica: Novela #Vitória tem potencial, mas falta espaço para casal protagonista



Por André Lima


A novela Vitória, de Cristianne Fridman vem provocando uma série de boas discussões. Assuntos polêmicos vêm sendo tratados no folhetim da Record. O texto é bom, é ágil. Os personagens das tramas paralelas são ótimos. Vide o Jorge (André Di Mauro) que apesar de ter seu lado carrasco (bater na irmã, assediar funcionária casada etc) não são motivos suficientes para o telespectador o odiar. Certamente, porque o ator André Di Mauro, deu ao personagem, um lado muito humano. Daqueles que tem defeitos e qualidades. Houve empatia. E o " ISSO É FALTA DE LAÇO", com sotaque do Sul do país, já virou bordão.

Assim como o Virgulino (vivido pelo excelente ator que tem origem no teatro, Ricardo Ferreira, uma grata surpresa), o personagem nordestino e assumidamente homossexual, que é retratado de modo educado, respeitoso e sem estereotipar. Apesar de ser um personagem divertido, não existe a forçação de trejeitos, características de pecado de muitos autores de telenovelas. Que ao invés de contribuir contra o preconceito, pode fazer o caminho inverso.

A personagem Anastácia (Roberta Gualda) que sofre tentando esconder de todos que não sabe ler e nem escrever. Em um encontro emocionante com os personagens do ator mirim Pablo Mothé, o Cicinho, e o grande ator Raymundo e Souza vivendo o Ednaldo, protagonizam cenas belíssimas,, e promete fortes emoções.

E tantos outros núcleos da novela. Inclusive, o núcleo da delegacia, da escola e dos neonazistas.

Por que eu comecei falando do núcleo das histórias paralelas?

Simples. Porque o núcleo principal foi apagado. Infelizmente, pois era um romance lindo, que começou avassalador desde o primeiro capítulo. Os atores Bruno Ferrari e Thaís Melchior são excelentes e já provaram que conduzem bem as personagens. Isso quando têm texto, claro.

Aí, eu fico na dúvida, e procurando respostas para tantas perguntas:

Por que os protagonistas estão assumindo papel de coadjuvantes?
Não raras vezes, os personagens principais (leia-se Diana e Artur) somem. A trama ficou muito focada nas ações dos neonazistas e do Iago. Tudo bem que o Gabriel Gracindo, o Raphael Montagner e a excelente Juliana Silveira estão muito bem. Mas e os protagonistas?

Novela sem heróis não vai à frente. O telespectador precisa ter por quem torcer.

Onde foi parar aquelas heroínas das novelas que Regina Duarte protagonizava? Aquelas mulheres inteligentes, de personalidade forte, de opinião?

Os autores, ultimamente têm dedicado muitas linhas e muito tempo transformando vilões em protagonistas. Tudo bem que um bom vilão dá suporte ao protagonista. Mas o papel do vilão é contrapor o protagonista, e nunca assumir seu papel.

Isso seria uma inversão de valores. E vem acontecendo a cada novela. Não vamos muito longe. Caros leitores. Respondam-me com sinceridade: O QUE SERIA DA NOVELA AVENIDA BRASIL SE NÃO FOSSE A VILÃ?

Enquanto essa nova onda dos super-vilões não passar, as novelas vão continuar perdendo público. Para não dizer que estou falando bobagens, basta analisar os índices de novelas, tanto da Globo quanto da Record nos últimos anos. E vocês irão tomar um susto ao deparar com os índices de queda.

A verdade é uma só. O telespectador, e isso inclui eu, quer torcer por gente de bem. Quer ver pessoas dando bons exemplos de força, superação. Afinal, novela, ainda que sendo um retrato da vida real, é FICÇÃO.

É mais empolgante um famoso clichê do tipo: "E foram felizes para sempre e o bandido se deu mal" do que ver a nossa realidade nua e crua com gente "ruim" se dando bem e ainda sendo endeusados. Isso a gente já vê em telejornais.

Para finalizar, eu garanto, a novela Vitória tem potencial para virar esse jogo. Desde que os protagonistas tenham vez. Não dá para aturar Artur (Bruno Ferrari) acreditando nas histórias de contos de fadas que o Iago (Gracindo Junior) conta. Não dá para renegar o fato de que entre Artur e Diana rolou paixão avassaladora, mesmo ela acreditando que eles são irmãos, isso não some de uma hora para outra.
Basta centralizar mais a história e dar a oportunidade para o público gostar do casal principal e começar a torcer que os dois se acertem. Isso é um folhetim. Não precisa inventar nada, basta seguir a receita.

Abraços com respeito sempre.
twitter: @andrem1lima