quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Crônica da TV: Baixa Audiência de #PlanoAlto - Então, o que o telespectador quer ver?



 Por André Lima 


A série “Plano Alto”, escrita brilhantemente, por Marcílio Moraes com direção impecável e elenco afinado e à altura do texto, não alcança o grande público. Mas como? Uma série de tamanha qualidade?

Continuo em minha tese. Audiência não mede e nunca medirá qualidade. Somente quantidade. Mas a partir deste pressuposto, nós perguntamos.
O que o telespectador quer assistir?

Estamos acompanhando um fenômeno ainda não classificado na televisão brasileira. Para onde foram aqueles telespectadores que paravam diante da TV? Eles desligaram? Mudaram de canal? Partiram para a Internet? TV fechada? O que houve?

Teoria da Globalização:

Hoje, a televisão não é mais a grande fonte de informação. Mas, ainda assim, é uma fonte barata. Tanto de informação quanto de entretenimento. A Internet seria a única culpada pela debandada do telespectador?

Teoria da falta de qualidade na programação:

Cogita-se a ideia de que o telespectador ficou mais exigente. Ele quer ver “produtos” com mais conteúdo. Será?

Teoria do aumento de assinaturas de TV Paga:

Com o custeamento de TV por assinatura e Internet mais em conta para o bolso dos brasileiros. Diz-se que o telespectador partiu rumo a novos horizontes, novas aventuras.

Teorias à parte ...

Vamos fazer uma análise um pouco mais prática. Com exemplos.

Na Rede Globo, o canal líder de audiência, os seus resultados não são mais os mesmos. Seus números assustam. Mas não por serem altos, mas justamente, por fazer o efeito contrário. Estão caindo gradativamente. E nem podemos mais dizer que “lentamente”.

Novelas, o seu carro chefe que carregavam, sozinhas, nas costas toda a grade de programação do canal, estão bem aquém do que se espera daquele famoso “PADRÃO GLOBO DE QUALIDADE”. E o público sumiu. Mas AONDE foram parar os telespectadores? ONDE eles estão agora? Mudaram de canal? Desligaram? Foram para a Internet?

Telejornais perderam público também. Isso nos ajuda a repensar sobre a busca de fontes de informação que seja mais fidedigna. Ou, que se busque mais de uma fonte para analisar se não existe qualquer tipo de manipulação.

Redes Sociais, especialmente twitter e face book, funcionam como uma gigante sala. Onde todos se reúnem para comentar, discutir e opinar sobre o que estão acompanhando na TV. E isso, nos leva a repensar sobre a teoria de “desligar a TV”. Seria uma contradição.

Voltando à TV Record:

A TV Record é um dos canais que crescem, ainda que muito lentamente, mas também tem perdido público. Mas aí, é preciso tomar cuidado com a análise, pois há dois pontos distintos a serem observados:
1 – Faltou profissional de áreas específicas, que entendam de TV, verdadeiramente. Assim, evitaria erros de projetos, projeções de público, de horário (que normalmente são trocados). Isso evita “fidelizar” o telespectador, que busca a todo o momento por IDENTIFICAÇÃO com o canal.

2 – Todos os canais de TV perderam público de um modo geral. Basta analisar as médias /dia de todos os canais de TV. E nem preciso ficar aqui, elaborando teorias.

Partindo daí...

Uma outra questão ...

O instituto de pesquisa é mesmo confiável?

Alguém já questionou o porquê de haver uma queda drástica de audiência, principalmente, da líder Rede Globo, logo após o anúncio da entrada de um instituto de pesquisa de audiência para o ano de 2015?

Não soa estranho que, gradativamente, programas de TV da Rede Globo tradicionais e de sucesso, como novelas, telejornais (leia-se Jornal Nacional) e Vídeo show (a vitrine da programação do canal) tenham perdido tanto telespectador assim?

Ou será que esses sempre foram os seus números reais?

Mas e sobre a qualidade?

Por que o telespectador que se diz cansado de programas de baixa qualidade, não assistem a programas de altíssima qualidade?

Estou me referindo à série (minissérie) Plano Alto. Marcílio Moraes, direção e uma equipe técnica, juntamente com um elenco de OURO, colocaram no ar um trabalho impecável. Por que ninguém se interessa?

Minha teoria é que o telespectador está preguiçoso. Não quer pensar. Ainda continua querendo sentar à frente da TV e só assistir sem questionar, sem refletir, sem ouvir.

Mas é só uma teoria.

Dentro disso, o que fazer?

Será que a TV Record vai insistir e aos poucos conquistar um público seleto? Ou vai desesperar e partir para a tentativa do caminho mais fácil e viver de sensacionalismo barato e banal em cima das desgraças alheias?

Antes de finalizar...

Um ponto importante ainda precisa ser observado. A Fazenda 7, carro chefe de audiência, nas versões anteriores, que impulsionavam a audiência da programação da TV Record durante os três meses no ar, hoje, não consegue mais esse feito.

Isso me leva a crer que o telespectador começa, ainda que lentamente, (e isso inclui a mim também), a buscar pelo que é de “BOM GOSTO”.

Dentro desses pontos de vista:

Podemos concluir que os canais de TV estão mais vendidos do que nunca. Tentando adivinhar o que o telespectador quer ver. Jogando programas de TV no ar, como testes para aprovação ou não do público. Situação difícil para os canais e também para o telespectador que já sabe o que quer. Pois, após ter aprendido a usar o controle remoto. fica "zapeando" de canal em canal mas nada encontra que o faça a criar uma identidade com um deles.


E você aí?

Que tipo de programação você quer ver na televisão? O que você procura assistir quando liga a sua TV?

 seguir no twitter: @andrem1lima