quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Crônica da TV: "Conselho Tutelar" mostra que séries são o futuro da teledramaturgia




Inovação...

Protagonista de verdade...

Em questão de criatividade, coragem para arriscar e inovação, a TV Record dá uma aula a qualquer outro canal, inclusive à Rede Globo. A Record fugiu, com coragem, dos Estereótipos de beleza, que um canal como a Rede Globo sempre impôs ao longo dos anos. Em outro canal, Roberto Bomtempo não faria outro papel se não o de um capanga de um coronel qualquer.

Na Record, o ator tem mais importância do que o modelo de capa de revista.
Pode parecer bobagem, mas isso é grave. Uma vez que novelas e minisséries têm o poder de ditar modas e comportamentos.

Como não aplaudir o canal de TV que arrisca temos como esse de “Conselho Tutelar”; de “Plano Alto”, discutindo o mundo da política; de “Vitória”, discutindo casos como Neonazismo, ainda vigente no mundo, um cadeirante protagonista. Se isso não for inovação, eu não sei mais o que é.


“Conselho Tutelar” tem apelo popular

Para quem não viu, aconselho que procure ver. A nova série da Record tem qualidade, principalmente elenco e direção. Serão somente cinco episódios. O que me deixou irritado, de início. Mas depois, refletindo melhor, comecei a acreditar que essa foi uma boa jogada. Se não desse certo, teria o mínimo de prejuízo. E se desse certo, como tem dado, criaria grande expectativa no telespectador para uma segunda temporada. Eu já estou torcida.

A série é dramática, gênero que vem atraindo cada vez mais novos interessados. Depois e Breaking Bad, todo mundo passou a apreciar mais um drama bem roteirizado. Aqui, no Brasil, “Conselho Tutelar” é tema novo em teledramaturgia. O cotidiano de um órgão público no Rio de Janeiro é o pano de fundo perfeito para trazer ao cidadão brasileiro, além de entretenimento, a reflexão sobre questões sociais.

Com forte apelo emocional, “Conselho Tutelar” se dá ao luxo de discorrer sobre o drama da criança e do adolescente, da família mal estruturada, da maldade do ser humano, da relação: sociedade – poder público – cidadão – família – trabalho.

Além do drama principal, os conselheiros da série têm os seus próprios dramas, suas próprias frustrações. Sereno, personagem do espetacular ator Roberto Bomtempo, se vê obrigado a negligenciar a sua vivência com seu filho para proteger outras crianças e adolescentes, que normalmente não têm quem os defenda. Vale a reflexão sobre o assunto. Quando o trabalho passa a ser um problema para a sua vida pessoal e familiar.

Episódio Piloto

Apesar de muito bom. O primeiro episódio de “Conselho Tutelar” me deixou um pouco incomodado. Com bom elenco, desde os fixos aos convidados para o episódio, a série apenas se apresentou. Lucinha Lins, uma atriz que dispensa maiores elogios por sua grandeza e profissionalismo, teve uma participação importante no episódio com drama denso, mas pouco aproveitada.

Vale ressaltar que Lucinha Lins é tão brilhante, que o pouco que apareceu brilhou. Mas uma personagem como a dela, precisa de mais... de muito mais. Ela brilhou no episódio fazendo figuração. Isso é para quem sabe. O drama da criança que era espancada por uma médica competente e brilhante profissional foi pouco explorado. Ficou no ar, um gosto de “E aí?”.

O Primeiro episódio marcou, em São Paulo, de acordo com os consolidados do IBOPE, 6,6 pontos de média. Índices considerados bom para o horário e para o fim de ano.

Começando de verdade...

O segundo episódio da série, foi uma aula de drama bem elaborado. Duas histórias paralelas acontecendo, dando agilidade. Atributo imprescindível para qualquer produção na TV. De um lado, uma mulher ( Cíntia Rosa)que amava uma filha (Paola Raymond) e tinha repulsa pela outra, e criada como bicho. (Camille Oliveira). Do outro, um policial autoritário e possessivo (Marcello Escorel) que maltratava a esposa (Bela Perez) e (mal-educava) o filho (Gustavo Henzel) que o idolatrava como modelo de homem.

O desenrolar da história acontecia com a densidade que o drama exige.

As cenas mais simples roubaram para si todos os holofotes. E ali, pudemos observar como as crianças estão sendo bem dirigidas. Foi emocionante e incrível ver crianças embarcando em um roteiro tão visceral.

O segundo episódio, apresentou um crescimento de 20% de audiência em relação à estreia, cravando, em São Paulo, 8 pontos de média. De acordo com os consolidados do IBOPE.

Nos dois primeiros episódios, “Conselho Tutelar” tem ficando nos assuntos mais comentados da rede social, Twitter.

E que venha a segunda temporada

Conselho Tutelar é um trabalho bonito e com boa produção. Tem assunto, tem temas, tem dramas, tem histórias que podem e devem continuar sendo contadas. Além de um excelente entretenimento é um belíssimo trabalho de responsabilidade social.

Pode e deve ter continuidade.

Faço questão de, mais uma vez, deixar aqui toda a ficha técnica desta produção. O telespectador precisa começar a ir atrás deste tipo de informação. Conhecer as pessoas, por trás das câmeras, envolvidas em um trabalho como este.

Ficha Técnica:

Criado por: Marcos Borges e Carlos de Andrade
Roteiro: Marcos Borges, Mariana Vielmont, Chris Gomes, Bruno Passeri e Bosco Brasil
Edição e montagem: PH Farias
Trilha sonora: Marcello Dalla
Música Original: (Coração), Shawlin
Produção em parceria entre: TV Record e Visom
Elenco principal fixo:
Roberto Bomtempo
Paulo Villela
Gaby Haviaras
Andréa Neves
Petrônio Gontijo
Cássia Linhares
Paulo Gorgulho

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